Um cavalo encilhado para RH…E tem nome: ESG

CAVALO ENCILHADO – A ORIGEM E O SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO

Este ditado gaúcho é razoavelmente conhecido: Um cavalo encilhado não passa duas vezes na sua frente.

 

A mensagem implícita: Se o cavalo selado passar na sua frente, monte-o e siga na jornada. Caso você não o faça, alguém o fará.

 

Grandes oportunidades não aparecem sempre. Se alguma aparecer para você, agarre-a ou irá se lamentar por não tê-lo feito.

 

O MOVIMENTO ESG

A sigla, na língua inglesa, inclui o E de Ambiental (Environmental), o S de Social e o G de Governança (Governance). Reunidas, as letras identificam o movimento destinado a, em síntese, assegurar que as empresas assumam explicitamente o compromisso de servir a sociedade. Este movimento tem adquirido cada vez mais visibilidade, no Brasil e no mundo.

 

NA MESMA DIREÇÃO, O CAPITALISMO PARA STAKEHOLDERS

 

Em artigo clássico publicado em 1970, Milton Friedman, Prêmio Nobel de Economia em 1976, defendeu a tese de que “a responsabilidade social das empresas é aumentar os lucros”, pensamento que embalou a agenda empresarial, principalmente nos EUA, por décadas. Na essência, o capitalismo para os acionistas (shareholders).

 

Em agosto de 2019, a Business Roundtable, organização empresarial que congrega aproximadamente 200 empresas líderes nos EUA, sepultou essa visão pró-acionista e abraçou o compromisso com a busca de resultados que atendam às aspirações de todos os Stakeholders, isto é, todas as partes envolvidas no ecossistema empresarial: funcionários, clientes, parceiros, a comunidade e os acionistas. Este é o chamado Capitalismo para Stakeholders.

ESG, CAPITALISMO PARA STAKEHOLDERS: ESPÉCIES DO GÊNERO “A EMPRESA DEVE SERVIR A SOCIEDADE”

O novo contexto político-social no mundo ocidental se caracteriza por mudanças extremamente relevantes. Exemplos:

  • A busca das novas gerações por um sentido maior no trabalho;

  • A valorização do Propósito como condutor do destino de um indivíduo ou de uma empresa;

  • A sustentabilidade como componente irreversível da gestão empresarial;

  • O clamor de cidadãos, de consumidores e de investidores por ética e transparência na gestão pública ou privada;

  • A crescente sensação de que as práticas atuais do capitalismo estão ampliando as desigualdades sociais e econômicas.

 

Os princípios adotados pelos movimentos ESG e Capitalismo para Stakeholders representam avanços históricos que buscam responder a inquietações das sociedades. Entretanto, em grande parte do mundo ocidental, onde têm perspectiva mais sólida de se concretizarem, há um longo caminho a percorrer até que sejam incorporados pelo universo empresarial. Mas já há adesões relevantes, inclusive no Brasil, de empresas reconhecidas e admiradas por terem escolhido essa jornada.

 

Os dois movimentos já estavam se fortalecendo no mundo pré-pandemia e a crise sanitária mundial só escancarou a necessidade de as empresas assumirem papel relevante no encaminhamento de questões que afetam a sociedade como um todo.

RHs DO BRASIL: ACREDITEM, ESSE CAVALO ENCILHADO ESTÁ PASSANDO PELA SUA JANELA

Tanto ESG como Capitalismo de Stakeholders só se tornarão realidade se fizerem parte do DNA da empresa. Press releases ou frases elegantes em relatórios sobre sucessos ambientais ou sociais não resistirão ao tempo enquanto a alma da empresa não tiver incorporado os princípios desses movimentos.

Se a concepção de que a empresa deve servir à sociedade tem que estar no DNA, então é elemento da cultura interna, é pilar da Identidade Organizacional, que expressa as convicções da empresa sobre propósito, valores e visão. Este assunto se insere no campo de atuação de RH.

 

Aliás, este é o trabalho mais importante da área de RH: liderar o processo interno para construção, comunicação e institucionalização da Identidade Organizacional.

UMA JORNADA DE RISCO PARA OS LÍDERES DE RH

Essa mudança é profunda e os argumentos contrários são os suspeitos de sempre: Ninguém está indo nessa direção, por que devemos ir? Nossos resultados têm sido tão bons, por que mexer em time que está ganhando? Isso não é mais um modismo?

 

O contexto exige de RH muita competência técnica e habilidade política para articular o argumento pela mudança e convencer a organização de que este é o caminho a seguir. Não é simplesmente mudar um processo interno de Gestão de Pessoas. É mudar a natureza da empresa. O contexto exige de RH postura de estadista, exige coragem.

Lembremo-nos desta frase, atribuída a Winston Churchill, um dos maiores estadistas da história: “A coragem é a primeira virtude do estadista; sem ela, todas as outras virtudes desaparecem na hora do perigo.”

O PAPEL DE RH NA PANDEMIA…E NA HISTÓRIA

As empresas deixaram de ser somente instituições econômicas e sociais. Hoje elas são, também, instituições políticas, o que implica assumir o direito e o dever de se envolver em questões que afetam a sociedade.

Os movimentos ESG e Capitalismo para Stakeholders são irreversíveis e vão mudar as empresas, as sociedades, os países, o mundo.

 

Pelas nossas particularidades políticas, econômicas, sociais e culturais, eles podem demorar a se solidificar no Brasil. Mas não somos uma ilha.

 

Tem sido louvado, merecidamente, o notável trabalho realizado por RH nestes tristes tempos de pandemia. Esses momentos ficarão registrados como um exemplo em que a reação de RH foi histórica.

 

Montar o cavalo encilhado chamado ESG é a oportunidade para RH fazer a história.

 

RHs do Brasil: Montai esse cavalo antes que um aventureiro lance mão.

 

Salvador Evangelista