A Jornada do dono capítulo II – DECISÕES-CHAVE E A DIMENSÃO EMOCIONAL DA JORNADA
- Edson Gissoni e Rual Rousselet – Sócios Executivos da DMS PARTNERS

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Atualizado: há 54 minutos

Edson Gissoni e Rual Rousselet – Sócios Executivos da DMS PARTNERS
Dando continuidade ao tema “A JORNADA DO DONO”, onde no primeiro capítulo tivemos a oportunidade de explorar o conceito e as principais fases dessa jornada, nesse novo capítulo iremos explorar as principais decisões a serem tomadas durante essa “JORNADA” e o impacto emocional nos principais envolvidos no processo: dono, familiares e principais colaboradores da empresa.
As decisões-chave ao longo da Jornada
Em cada fase, o Dono se depara com decisões que têm impacto direto no valor da empresa e na harmonia da família. Entre as mais relevantes, estão:
Definir se a empresa será “empresa de família” (com familiares na gestão) ou “empresa da família” (controlada pela família, mas tocada por executivos de mercado);
Estabelecer regras para entrada, desenvolvimento e saída de familiares na gestão, evitando percepções de privilégio ou injustiça;
Clarificar papéis e poderes de decisão entre sócios, herdeiros, conselheiros e executivos;
Decidir se haverá ou não um conselho (consultivo ou de administração), quem o compõe e quais temas passam por esse fórum;
Planejar cenários de liquidez: venda de uma parte da empresa, abertura a investidores e reorganização societária entre ramos da família.
Quando essas decisões são adiadas, elas não desaparecem, apenas reaparecem em forma de conflito, litígio ou perda de valor. Ao tratá-las como parte natural da Jornada do Dono, o empresário assume uma postura ativa, reduz improvisos e aumenta o grau de previsibilidade do futuro.
A dimensão emocional da Jornada
Falar sobre sucessão é também falar sobre identidade, reconhecimento e finitude. Para muitos donos, a empresa se confunde com a própria vida: é o lugar onde investiram tempo, energia, relacionamentos e reputação. Não à toa, temas como “meu momento de saída”, “quem vai ocupar meu lugar” e “como serei lembrado” costumam despertar sentimentos ambíguos de orgulho, medo e resistência.
Por isso, a Jornada do Dono não é apenas um plano técnico, mas também um processo de elaboração emocional. Envolve o Dono, sua família e seus principais executivos em conversas difíceis, mas necessárias: o que cada um espera do futuro, quais são os limites de atuação de cada membro e quais são as prioridades de preservação: patrimônio, marca, empregos e legado social.
Quando essas conversas são facilitadas por terceiros experientes, o processo costuma ser menos desgastante e mais construtivo.
Por onde começar a organizar a Jornada do Dono
Para muitos empresários, o maior desafio não é entender a importância do tema, mas saber por onde começar. Um bom ponto de partida é responder, com sinceridade, a três perguntas:
Se eu precisasse me afastar da empresa amanhã por 12 meses, o negócio continuaria operando com segurança?
Existe um time dentro da família ou fora dela preparado para assumir as principais decisões estratégicas?
Há documentos que organizem as regras entre sócios, herdeiros e executivos, como acordo de sócios, protocolo familiar, plano de sucessão e regulamento de conselho?
Se as respostas indicarem fragilidades, não é motivo para culpa, mas um convite à ação.
A Jornada do Dono começa quando o empresário decide tratar sua saída futura com o mesmo profissionalismo com que sempre tratou o crescimento da empresa. A partir daí, cada passo dado em direção à governança, à sucessão e à clareza de papéis reduz riscos, cria valor e aumenta as chances de o legado atravessar gerações.
Encerrar bem a Jornada do Dono não significa “abandonar” a empresa, mas escolher conscientemente qual será o próximo capítulo: mentor, conselheiro, investidor ou alguém que mira novos projetos de vida. O importante é que essa escolha seja feita pelo Dono, e não pelas circunstâncias.
Conclusão
A Jornada do Dono pode ser um processo desgastante e muitas vezes frustrante, se não bem preparado e conduzido, por isso requer um planejamento cuidadoso e uma execução meticulosa.
Seguir as fases mencionadas, estar atento aos cuidados necessários e utilizar a assessoria de um time de especialistas pode aumentar significativamente as chances de sucesso nesse processo. Com uma abordagem planejada, estratégica e executada da forma e no momento correto, é possível conduzir a transição do dono de maneira gerenciada, controlada e com maior potencial de ganho para todos os envolvidos.
Para que isso aconteça, contem com a assessoria do time de especialistas em Fusões & Aquisições (M&A) da DMS Partners.
FAQ – Jornada do Dono
O que acontece quando o dono adia decisões sobre sucessão e governança?
Adiar decisões sobre sucessão e governança aumenta o risco de conflitos, perda de valor e insegurança estratégica. Quando regras societárias, sucessórias e de gestão não são definidas antecipadamente, problemas familiares e empresariais tendem a surgir em momentos de crise, pressionando o negócio e reduzindo a previsibilidade para sócios, herdeiros e executivos.
Como começar a organizar a Jornada do Dono na prática?
O primeiro passo é avaliar a capacidade de continuidade da empresa sem a presença direta do dono. Isso inclui:
Verificar se existe sucessão preparada;
Estruturar acordos societários;
Definir papéis de familiares e executivos;
Criar mecanismos de governança;
Planejar cenários de liquidez e sucessão patrimonial.
Empresas que iniciam cedo esse processo reduzem riscos futuros.
Por que a sucessão empresarial envolve questões emocionais além das técnicas?
A sucessão empresarial envolve emoções porque a empresa frequentemente representa a identidade, o legado e a história pessoal do dono. Questões como saída da liderança, reconhecimento e continuidade despertam insegurança, resistência e medo da perda de relevância. Por isso, processos sucessórios bem conduzidos combinam governança técnica com mediação emocional e alinhamento familiar.
Qual a diferença entre “empresa de família” e “empresa da família”?
Uma “empresa de família” possui familiares atuando diretamente na gestão operacional e estratégica do negócio. Já uma “empresa da família” mantém o controle societário familiar, mas delega a gestão para executivos profissionais de mercado. Essa definição impacta governança, sucessão, meritocracia e o modelo de crescimento da empresa no longo prazo.
Quais documentos ajudam a estruturar a Jornada do Dono?
Os principais documentos para organizar a Jornada do Dono são aqueles que criam clareza jurídica, societária e sucessória. Entre os mais relevantes estão:
Acordo de sócios;
Protocolo familiar;
Plano de sucessão;
Regulamento de conselho;
Estrutura de governança corporativa.
Esses instrumentos ajudam a reduzir conflitos e proteger o legado empresarial.
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A jornada do dono exige decisões estratégicas, clareza e preparação. O momento ideal para começar é antes que as circunstâncias decidam por você.


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